Genética · Nível 1

O Cheiro da Sua Variedade Está no DNA Dela

1.14b · 5 min de leitura

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O Erro

Passei um ano tentando mudar como as minhas plantas cheiravam. Li que temperaturas frias à noite ressaltam certos aromas. Que fazer flush com melaço aumenta a doçura. Que a luz UV turbina os terpenos. Tentei cada um, cheirando os meus potes depois de cada cura, me convencendo de que algo tinha mudado.

Nada tinha mudado de forma significativa. A Cheese cheirava a queijo. A Haze cheirava a haze. Todo ciclo, independente do que eu fizesse com o ambiente, o caráter fundamental de cada cultivar continuava o mesmo. O volume mudava — alguns cultivos eram mais barulhentos que outros — mas o perfil de cheiro de fato estava travado desde o momento em que eu plantei a semente.

Pesquisadores mapearam a família inteira de genes de terpeno na cannabis e perfilaram o teor de terpenos em centenas de cultivares. A conclusão: o perfil de terpenos da sua variedade é determinado por quais genes estão ligados e em que nível, e isso é definido pela genética. Você pode subir ou baixar o volume com as condições de cultivo. Você não consegue mudar a música.

Por Que Isto Importa Para Você

A cannabis produz mais de 200 compostos terpênicos diferentes. O cheiro de qualquer cultivar vem de um punhado de terpenos dominantes, produzidos por um pequeno número de genes altamente ativos. Alguns desses genes produzem múltiplos terpenos de uma vez — uma única enzima pode ser responsável por dois ou três compostos que sempre aparecem juntos na sua flor. É por isso que certos cheiros andam em pares: se você sente um, o outro quase sempre está lá, porque o mesmo gene faz os dois.

Isso significa que os nutrientes e suplementos “potencializadores de terpeno” vendidos aos cultivadores não fazem o que alegam. Você não consegue alimentar o seu caminho até um perfil de terpenos diferente. Uma planta saudável e bem iluminada vai produzir mais dos terpenos naturais dela do que uma estressada, mas a proporção — a receita que faz a sua variedade cheirar como a sua variedade — não muda.

O Que Fazer

  • Escolha a genética pelo cheiro que você quer. Se você quer cítrico, cultive uma cultivar conhecida por limoneno. Se você quer combustível, ache genéticas que expressam esses compostos fortemente. Nenhum aditivo vai converter um perfil em outro.
  • Pare de confiar nos rótulos “indica” e “sativa” para expectativas de terpeno. A pesquisa em centenas de cultivares mostrou que os perfis de terpenos não se agrupam por indica ou sativa. Duas “sativas” podem cheirar completamente diferente. Uma “indica” pode ter o mesmo perfil de uma “sativa”. Os rótulos não preveem a química.
  • Proteja os terpenos que você tem. A genética define a receita, mas a secagem e a cura determinam quanto sobrevive. Os terpenos voláteis — os que você mais cheira — evaporam durante uma secagem agressiva. Devagar e a baixa temperatura, num quarto escuro a umidade moderada, preserva o perfil que a sua genética construiu.
  • Se duas sementes da mesma variedade cheiram diferente, isso também é genética. A menos que você esteja cultivando do mesmo clone, duas sementes do mesmo cruzamento podem expressar combinações de genes diferentes. É por isso que os cultivadores fazem pheno-hunt — testando várias sementes para achar a que tem o perfil de terpenos que querem, e depois clonando ela.

A Ciência Mais a Fundo

O mapa de genes completo — todos os 55 genes de terpeno sintase, pares de terpenos correlacionados que compartilham enzimas, genes de terpeno específicos da raiz que a planta faz por motivos que não têm nada a ver com o seu pote, e o que tudo isso significa para a reprodução — está no Módulo 2.5b (nível Advanced Grower).

Quiz

1. O que as condições de cultivo conseguem mudar no aroma da sua variedade — e o que elas não conseguem mudar?

2. Por que certos cheiros parecem sempre andar juntos?

3. (Verdadeiro/Falso) Os rótulos “indica” e “sativa” preveem de forma confiável o perfil de terpenos de uma cultivar.

4. A genética define a receita de terpenos. O que decide quanto sobrevive até o seu pote?

5. Por que duas sementes da mesma variedade às vezes cheiram diferente?